domingo, 25 de abril de 2010

Alice no País das Maravilhas


Depois de dois anos acompanhando o processo de criação do filme, pode-se dizer que o resultado final integra uma explosão de cores numa atmosfera escura. Essa atmosfera faz com que a intensidade das cores se apague um pouco, iluminando, conseqüentemente, o estilo de Tim Burton que se caracteriza pela mistura de fantasia e horror, expressos de forma sutil. Está presente na rainha de copas que não titubeia ao mandar decapitar aqueles que a desagrada e também no lago infestado de cadáveres que cerca o seu castelo. Os personagens conseguiram bilhar individualmente, mas três se destacaram. Alice, de Mia Wasikowska, foi interpretada, até certo ponto, como uma pessoa que acreditava estar sonhando com um lugar onde tudo que via era fruto de sua mente, produto da imaginação. Numa seqüência de diminuir e crescer aparece com belos figurinos e, no inicio, quando está prestes a ser pedida em casamento, por um lorde, a sua negação interior quanto ao pedido a impulsiona a enxergar um grande coelho branco vestido. Ele mostra a ela um relógio marcando a hora; a hora de voltar. Antes do retorno, no mundo real, ela interage com personagens que remetem ao comportamento de pessoas que na prática não são aquilo que deveriam ser. O lorde não demonstra ter o refinamento que se espera ao soar o nariz, o marido de sua irmã a traí no jardim e tem uma tia solteirona que delira esperando um príncipe. Essas figuras e situações levam Alice a sucumbir ao pedido. Correndo rumo ao horizonte, chega até o buraco que a leva de volta. Ao adentrar novamente o país, o estilo timburtiano nasce arrebatador, está na forma das portas, nas árvores e nas escadas. O Chapeleiro Louco, na atuação de Johnny Depp, surge composto por uma personalidade excêntrica, com uma voz intrigante. Rouba a cena e ofusca Alice com seu jeito pitoresco. Às vezes, fala tão rápido que mal dá para entender, possui também um interessante vocabulário. Os cabelos alaranjados, os olhos esverdeados e o chapéu tão cobiçado pelo gato enriquecem as suas boas ações e expandem sua imagem louco; em repetidos momentos pergunta o quê um corcunda e uma escrivaninha tem em comum. Torna-se um dos principais aliados de Alice para desestruturar o poder da Rainha de Copas, também chamada de Rainha Vermelha, feita por Helena Bonham Carter. Com uma cabeça grande num corpo pequeno, dissemina malvadezas pelo país das maravilhas e demonstra ter apreço pelo fato de ser tão temida e, ao mesmo tempo, ilustra um ser enciumado e cheio de ressentimentos. A sua principal estratégia de controle é ordenar que cortem a cabeça de seus inimigos. Passa por uma falsa bajulação de sua corte que se fantasia com características bizarras só para agradá-la. Pensa ser o centro do país, é autoritária, não tem estima por seus animais móveis e exige que todos a sirvam, inclusive a sua irmã, a Rainha Branca, representada por Anne Hathaway. Com uma maquilagem que valoriza a boca, os olhos e as sobrancelhas num universo claro, a Rainha Branca tenta expressar beleza em seus movimentos delicados; consegue ser cômica e a brancura de seu reino é opaca. Perto da Atuação de Johnny Depp e Helena Bonham Carter a interpretação de Anne Hathaway é igualmente opaca. Com uma modesta participação o Valete, feito por Crispin Glover indica um personagem inescrupuloso que assedia Alice e finge fidelidade a Rainha de Copas. Tem também os irmãos Tweedledee e Tweedledum que são muito engraçados. Sobre tudo isto, na minha visão, as três figuras que foram mais bem interpretadas são, inquestionavelmente, o Chapeleiro Louco e a Rainha de Copas. A Alice não foi tão brilhante, mas teve seu realce. Contudo, deve-se levar em conta, tanto no caso da atriz que interpretou a Alice, quanto no caso de Anne Hathaway, que é difícil encenar algo incrível perto de dois atores bem mais experientes e conceituados. Os animais em animação também brilharam, gostei muito da largata fumando (ópio?!) e do gato, com temperamento inusitado, que fica invisível. Em relação à tecnologia 3D é impossível não ficar encantado. Ao voltar do país das maravilhas, Alice recusa o noivado e diz, de fato, o que pensa sobre a realidade em que vive e as pessoas que a cerca. Neste instante ela parece estar detestável, mas, depois, é admissível entender o significado que, na minha leitura, está em fazer do mundo real o país das maravilhas, segundo as nossas possibilidades buscar-se-á ousar, criar, transcender limites, abater dificuldades, guiar nosso destino para alcançar as “lonjuras” dos nossos sonhos para que eles se materializem de verdade. Aí está o sentido da última fala do chapeleiro desejando “boas lonjuras” à Alice.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Ao Novo Dom Juan de Marco




Teus olhos emanam amor
e são reluzentes como raios.
Silenciam pensamentos amargos
e aguçam os desejos guardados.

Igualmente belos e sedutores são os lábios.
Sorridentes como os olhos,
se assemelham a corações apaixonados.
Sempre vermelhos instigam travessuras
e pensamentos sobre mundos encantados.

Na composição dos olhos
e no movimento dos lábios
a intensidade da tua formosura
ofusca qualquer espaço.
Por isso, espero que fiques
sempre do meu lado.