sábado, 31 de julho de 2010

Guerras e Jogos de Xadrez



Para quê os homens entram em guerra?
Várias faces, muitas peças de xadrez querendo
ocupar o mesmo espaço num mesmo jogo.
O rei, a rainha, o bispo, o poder...
A jogada final, o xeque Matt
é quantas pessoas podem matar.
Expandir o poder, chegar ao final.
O rei absoluto, sozinho no tabuleiro,
subjuga seus súditos. Sem saber quem
lutou, quem sofreu, quem ou quantos morreram.
Aqueles que fizeram de tudo para serem
lembrados, aqueles que chegaram no
fim do jogo quase sempre intactos.
Quem são eles? Uns poucos afortunados!?
Quantas peças conseguem derrubar?
Muitas faces e as invencíveis armas,
o xeque Matt, a cartada final e a última jogada:
Guerra no tabuleiro. O tabuleiro é o mundo,
onde quem perde pode outro dia ganhar.

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Entre Suspiros e Sobressaltos

O contato do teu corpo no meu e os teus
lábios na minha face, amoleciam-me.
Imersa em sentimentalidades, a tua
afetuosidade fazia bater forte meu
coração; agitavam-me, numa fogosa
paixão expressa por intensa malícia
e voluptuosidade. Cantarolava horas a
fio e o meu jardim ficava florido
enquanto tua voz desfalecida compunha
buquês de palavras delicadas. Tuas
carícias estonteadoras dilatava a minha
vaidade, ampliava minha feminilidade e
despertava sensações risonhas. Numa
mistura de calma, sedução e pecado
ficava flutuando como uma pluma na água.
E,na profundidade da nossa calma,
vislumbrava o infinito. Devagarinho,
teus galanteios coravam a minha face
e animavam minha disposição para as
alegrias das noites que, a sós, fazíamos
festivas. Teus atrevimentos, tuas juras,
teu jeito de proceder o aconchego deixavam-me
palpitante, com pernas e mãos tremulas.
O desenfreamento da nossa paixão estava em
todos os cômodos, impregnado na memória
da nossa casa. Mas, agora, tudo é passado.
A instituição do casamento foi quebrada e
a inevitável viuvez, definha-me. Uma dor
emocional e psicológica me deixa entre a
amargura dos suspiros e o delírio dos sobressaltos.

terça-feira, 27 de julho de 2010

Na escuridão da caixa



Mil pássaros batendo as asas numa pequena caixa fechada.
Estão ficando doentes porque falta luz.
A escuridão limita o horizonte dos vôos rasantes.
Corpos e bicos se debatem.
Quem olha de fora só vê a caixa.
Mas os que estão nela é que sabem.
A falta de espaço abafa o canto.
As penas que se soltam pregam o desencanto.
Nunca mais navegarão nos céus.
Viagem longa, contrabando. Miscelânea
de cores embalsamada numa mesa no canto.
A vida é cruel e na escuridão da caixa,a doença
que está matando abre a porta do infinito azul.
Na sala, o solitário enxerga a caixa,
o seu coração guarda os pássaros.

quinta-feira, 22 de julho de 2010

No looping das pálpebras


Os olhos fechados rompem com os laços da discórdia.
A petulância e a insolência são esquecidas no afago.
O suspiro profundo desarma a boca cheia de palavras ásperas.
A tolerância floresce para sustentar a felicidade falsa.

Os olhos abertos selam os atos da discórdia.
A petulância e a insolência são lembradas
nos momentos amargos. O suspiro profundo
arma a mente com pensamentos nostálgicos.
A tolerância falece para não esquecer das grandes farsas.

Os olhos fechados e abertos movimentam
o looping das pálpebras. A petulância e
a insolência são destruídas no afago. O
suspiro corrompe a estabilidade da alma
e a tolerância novamente entra em colapso.

A sós com Billie


Neste quarto escuro, estamos a sós.
Lançada contra rochedos sinto-me
abraçada por tuas palavras; é como
se elas fossem melodias tocadas em
ambientes noturnos como minha alma.
O tom da tua voz alivia e tenho reflexões elevadas.
Lá fora, o mundo desdenha de mim, mas tuas
interpretações diminuem a ira concentrada
entre os escombros de minha alma.
Sou indigna de teu talento ávido,
porque ele ameniza feridas... Feridas que
sangram sob a forma de paixões recolhidas.
Entre a luz dessas velas, o fogo
também alimenta minha alma.
O que nos une é um CD e um rádio.
Sei que quando minhas pálpebras ficarem cansadas
e o meu olhar tornar-se turvo, você partirás.
Deixará ausente uma das poucas alegrias
que nutrem minha alma.
Para sucumbir, espero-lhe na noite seguinte.
Michael teve sua Billie Jean, eu tenho você,
minha querida Billie... Billie Holiday,
que nas noites uberabenses
acolhe o sofrimento de minha alma.

terça-feira, 20 de julho de 2010

Filmes, Cartões Postais e Carros Antigos



Filmes, cartões postais e carros antigos,
suicídios plurais num dia-a-dia sem sentido.
Mapas sem trajetórias e roteiros sem destinos,
para além do imaginário o desabafo é o desatino.
No poema desafino. Devaneios, invenções irreais;
decomposição do pensamento e vícios de linguagem.
A contingência do espírito, o singular na paisagem.
A alucinação é o juízo. No devir da solidão o
caminho é o delírio. Os reflexos reais do
pensamento no vazio. Como último suspiro,
convicções danificadas: lembranças para aqueles
que já foram esquecidos. Mas e os filmes, os cartões
postais e os carros antigos? Invenções reais,
devaneios plurais, lembranças onde o desabafo
se torna desatino, sonhos daqueles que já foram esquecidos.

domingo, 18 de julho de 2010

Pensamento




O pensamento dimensiona a alma,
aproxima o que está afastado.
Desmistifica ídolos de ascendência e
colore naturezas pouco decifráveis.
Gera conjecturas, cria coisas esdrúxulas,
transforma as frutas verdes em maduras.
Edifica e destrói estruturas, matéria-prima
para duradouras molduras. Permite
encontrar o fascínio que se encontra
afastado, arquitetar os desvarios dos
grandes gênios, dos grandes magos, das
idéias dos loucos e dos deslizes dos fracos.
O pensamento é o arcabouço de tudo que é criado,
está em todos nós, pode diminuir ou crescer,
só depende daquele que pode ir além do que crê.

sábado, 17 de julho de 2010

Girassóis Envernizados



Para conseguir sobreviver
no limite entre a realidade e a
ilusão, desenho as palavras.
Porque é no tocar das palavras
simples que te encontro num
lugar muito além da imaginação.
Se a alma está doente, calma!
Existe um lugar lá fora do mundo,
onde não mais encontraremos
os girassóis envernizados. Lá,
onde o plano contempla os
carrosséis do imaginário.
Mas se mesmo assim a alma
continuar doente, calma!
A verdade qualquer hora deixa de
ser desilusão, pois, se a realidade
agora te exonera, me acompanhe
por esses lugares lá fora do mundo;
lá, onde a realidade é ilusão.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Reações Involuntárias



Pequenos sinais explodem no rosto
como centenas de rosas vermelhas que florescem
em beleza numa manhã de primavera.
Um corpo de homem, com uma mente de menino.
Enxergo-te perdido e sua confusão me confunde.
Sua fala sem nexo, às vezes,
me faz querer pular de um abismo.
Mas seus olhos em doçura
me permitem enxergar o paraíso.
Então é melhor sair de perto de mim, menino.
Não nego que o seu comportamento desordenado
faz nascer volúpias expressas por meio
de reações involuntárias e subjetividades entrepostas.
Mas, sei que não posso tê-las.
Então, espera a primavera virar verão.
Espera, para viver a época do frio que enfurece
os campos calmos nas noites de tempestade e furacão.
Mais depois de tudo novas belas manhãs
de primavera explodirão em flores,
vermelhas como o platonismo das reações involuntárias;
vibrantes, como os desvarios da mente contrariada.

Separados



Fora da luz dos teus olhos castanhos,
perco o fascínio pelo mundo.
Tudo se torna estranho e a
realidade racional fica pouco atraente.
A ilusão torna-se barco desancorado,
o peito emana um chiado e o choro anuncia a solidão.
As utopias do passado tornam-se
as inspirações para o nosso epitáfio.
Mas, agora nada é emoção.
A alma fica fatigada e o salto
nas terras fantásticas anuncia a libertação.
Inexistências, devaneios, mundos mágicos
permitem-nos sucumbir à escuridão.
Separados, cada um vai para um lado
e então os dias da vida se tornam amargos.

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Em outras Galáxias

Os olhos verdes hipnotizam.
Os lábios carnudos ressoam palavras belas.
Primeiro de longe, depois mais perto.
Os opostos se atraem,
carnes e pêlos se tocam,
arrepios transbordam.
Deslizando as mãos pelas curvas,
a cápsula encontra a nave.
Fora da Terra, num lugar transcendental,
os fluxos anunciam espasmos.
Braços e coxas se confundem sob a luz baixa.
Os astros testemunham sussurros.
Com o universo desflorado o astronauta sai da nave.
Na escuridão do infinito,
a luz clara dos olhos anuncia a felicidade.
Da Terra vê o passado,
do teu lado alcança outras galáxias.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Não Chore Julinho!



Tua bravura foi fortalecida e tua
honra concretizada quando seus
olhos explodiram em lágrimas.

Não chore Julinho!

A dor da derrota não pode apagar
o desejo de conquista e de
glórias sonhadas durante horas.

Não chore Julinho!

Teu corpo é forte e teu espírito,
temido. Portanto, não deixe um momento
desapaixonante acabar contigo.

Não chore Julinho!

O objetivo de vencer uma copa não
desconstrói os méritos construídos
em anos de inúmeras vitórias.

Não chore Julinho!

Reflita sobre o passado,
acenda as luzes e abra as portas, pois,
queremos ver você na próxima copa.

sábado, 3 de julho de 2010

Futebol é um Plano Razo - 02/07/2010




No Brasil, futebol é coisa séria.
O sentimento nacionalista integra os
milhares e uma onda verde e amarela
cobre as terras fertéis e as áridas.
Cada um daqueles que entra nos campos
carrega o peso da responsabilidade,
da tradição e da raça. Entretanto,
as possibilidades de derrotas ou
vitórias são vertentes claras.
São anos de muito treino e preparo;
o quadro semelhante para todos os
jogadores que representam seus povos
nos gramados. Quando vencem, são
homens idolatrados. Quando perdem,
são duramente criticados. Mas,
futebol é um plano razo. Envolve
grandes batalhas, grandes alegrias
ou grandes fracassos. E hoje,
arrebatados por um gosto amargo,é
a imprensa e as centenas de técnicos
gaiatos que encenam o teatro sórdido
pensado fora da pressão dos gramados.
Adrenalina, testosterona e um desenrolar
dramático. Engolfados pela laranja
mecânica, nossos guerreiros ficaram
desolados. E nós, junto com eles, choramos
entristecidos, decepcionados, frustrados.
Mas, lembremos, futebol é um plano razo,
é um baú que surpreende até os mais
avisados,é um território de estratégias,
técnica e talento apurado. Controle psicológico
e emocional também fazem parte do prato.
Mas, abatidos pelo sistema o Dunga e o Felipe
Melo não foram os culpados, pois, o grupo que
ganha em conjunto,perde também em conjunto,
porque navegam no mesmo barco. Mas, lembremos,
futebol é um plano razo. As vitórias fogem
do controle e as alegrias se tornam passado.
E, quem um dia perdeu, no outro faz a
festa enquanto alguém chora calado.