terça-feira, 30 de novembro de 2010

Soneto à tua ausência

Lentos são os segundos
até a hora de encontrá-lo.
Para resistir ouço uma música,
leio uns livros, faço os trabalhos.
Mas, tristes são os dias que
não consigo encontrá-lo.

Lentos são os minutos
até a hora de encontrá-lo.
Para resistir torno-me ilha,
afogo meus pensamentos no
cemitério dos naufragos.
Mas, tristes são os dias que
não consigo encontrá-lo.

Lentas são as horas
até o momento de encontrá-lo.
Para resistir escrevo um poema, rabisco
um texto, te procuro nos quadros.
Mas, tristes são os dias que
não consigo encontrá-lo...

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Textículo - Os oportunistas

Na maior parte do tempo eles ficam em estado de repouso intelectual e são os principais personagens de um teatro chamado contradição, cujo enredo gira em torno do aproveitamento de situações favoráveis. Eles pensam pouco, estudam pouco, escrevem pouco, leem pouco e falam muito. E nessa teatralização não mensuram esforços para “pegar carona no barco”. Sem dúvidas, indiscretos, descarados, ousados!?

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Soneto ao cavalheiro dos olhos claros

Peço-lhe desculpas se em algum
momento a minha embriaguez
intelectual te incomodou.

Peço-lhe desculpas
se em meus olhos um
abismo você enxergou.

Peço-lhe desculpas se o meu
lirismo te chateou e o meu
tímido sorriso te nauseou.

Peço-lhe desculpas...

terça-feira, 23 de novembro de 2010

Na ausência dos teus olhos claros

Naquela terra inóspita,
de inteligências variáveis,
alegravam-me a presença
dos teus olhos claros.

Em meio a massa amorfa,
solidão, timidez e várias
visões de mundo em colapso.

Mas até mesmo a luz
dos teus belos olhos claros
se apagaram; tornaram-se
distantes mesmo eu querendo
estar sempre do seu lado.

E agora? Na ausência dos teus
olhos claros eu procuro você,
"tão longe, do meu lado".

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Nos encantos dos teus olhos claros

Na escuridão onde propaga o
silêncio fui iluminada pela
beleza dos teus olhos claros.

Separados por um muro
imaginário fiquei distante
mesmo estando do teu lado.

Entre os poucos diálogos educados
fiquei devaneando, pensando ser
você meu dom Juan de Marco.

Tão longe, do meu lado;
entre as multidões, isolados;
vislumbrados com o carinho imaginado.

Mas quando o vejo meu coração se acelera
e sinto ser você o cavalheiro dos encantos,
meu príncipe dos belos olhos claros,
o querido há muito tempo esperado.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

Isaac Newton



Se fosse possível caracterizá-lo em uma única palavra diria que comprometimento foi o seu forte. Um sujeito reservado que dedicou a maior parte das horas da vida ao estudo da física, da matemática, dos fenômenos que constituem a natureza em geral e era também um inventor. Obstinado a explicar e a demonstrar a coerência de suas descobertas ficava imerso num oceano de números e leituras que davam sentido ao seu cotidiano. Não tinha muitos amigos, não era de ficar tagarelando, não freqüentava festividades e, pelo que consta em sua biografia, não recebia com senso de humor as críticas que recebia. Sem dúvida, um homem solitário que não estabelecia grandes laços afetivos ou dispunha-se a gostar dos outros. Entretanto, sua personalidade introspectiva não foi capaz de ofuscar sua genialidade. Graduou-se na Universidade de Cambridge aonde veio mais tarde a lecionar matemática. Formulou teoremas, fez descobertas no campo da gravitação, da dinâmica e criou cálculos. Foi membro do parlamento inglês e ocupou a cadeira de presidente da Royal Society, uma instituição que tinha a função de gerar conhecimentos científicos. Realizou estudos da alquimia, não deixou de desempenhar práticas anglicanas e por muito tempo trocou correspondências com o filósofo, também inglês, John Locke. Pesquisadores dizem que pertenceu ao movimento Rosa Cruz, cuja crença está associada a seres iluminados com habilidades extraordinárias. Segundo suas estimativas, após investigar textos bíblicos, o mundo não irá acabar antes de 2060. Conseguiu também fomentar pesquisas que posteriormente seriam classificadas como ocultistas. O período histórico de sua existência é chamado de Iluminismo, que tinha como principio a crítica aos dogmas políticos, religiosos e da razão, surgindo assim como oposição ao Absolutismo. As idéias tidas como verdades deixaram de ser passivamente aceitas e os homens dessa época almejavam independência intelectual acreditando que tudo deveria ser motivo de exame. Newton, dentro deste contexto, foi indiscutivelmente um dos maiores cientistas de sua época, cujas contribuições se estendem até os dias de hoje. Morreu aos oitenta e quatro anos, de problemas renais, deixando na história conhecimentos que estão longe de contemplar quaisquer discursos - Por Raniele Oliveira em janeiro de 2010.

sábado, 13 de novembro de 2010

Café, Ostentação e Nostalgia

Entre o ouro negro e a ostentação
choravam os negros com a exploração.

Entre as carruagens e as cartolas dos latifundiários
reinava um país de analfabetos; desamparados.

Entre um Brasil moderno e avançado
mascarava-se a realidade e o arcaico.

Entre o Brasil, a Inglaterra e a França, mais
que um mero oceano: abolição tardia,
imigração, pouca industrialização, corrupção...

Modernidade, Modernismo e Modernização?
Tantas contradições, século XIX, ainda pouca indagação...

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Fora de Contexto

Ao lançar os olhos no horizonte,
vislumbrou a massa; amorfa.
A homogeneidade imperava
num contexto em que todo mundo
sabia tudo e não pensava quase nada.
O senso comum se apresentava
sob diversas formas; se reinventava.

Todo mundo criticava, falava com impessoalidade
e exterioridade, mas, sem saber criavam
uma nova modalidade de massa:
aquela de idéias pré-fabricadas; aquela
que " fala muito e não diz nada".

E ele ali parado,
com a solidão ao seu lado,
estava fora da massa.
Era uma substância "estranha",
rejeitada, repelida pela mesmice
tão vangloriada por aquela
tão complexa e sofisticada
forma de massa.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Em busca do Imperfeito

Racionalizaram as emoções
e ridicularizaram a
capacidade de se encantar.
O ato gradativo de se apaixonar
tornou-se uma lástima
caracterizada pela falsidade no falar.
Os prazeres breves tornaram-se
objetos do desejo e do pensar.
Chorar, sofrer e amar tornaram-se
flagelos dos quais é preciso se distanciar.
Ser feliz não está no que é,
mas no que se pode comprar.
A representação do homem bem
sucedido é o que se quer conquistar.
Literalmente vivemos o tempo em que
"tudo que é sólido se desmancha no ar".
Diz-se que a imagem do homem perfeito,
de sorrisos plásticos e relações maquiadas,
é o que se quer alcançar.
Contudo, agora eu lhe pergunto:
onde está o medo, a ilusão e a prática do devanear?
Será que aquilo que faz o homem tornar-se homem
são imperfeições necessárias de se eliminar?
Se ser perfeito é reproduzir discursos e
conquistar bens para fazer o outro se ludibriar,
então quero esquecer a estupidez
desse tempo e lugar. Quero ser imperfeita,
alguém de "carne e osso" sempre
disposta a se reinventar. Alguém
imperfeito, porque a imperfeição
é o elemento capaz de nos humanizar.

terça-feira, 2 de novembro de 2010

TUCA NADA

TUCA NADA foi cercada pela tonalidade vermelha.
TUCA NADA foi engolfada pela força da massa.
TUCA NADA foi apoiada pela elite parasitária.
TUCA NADA foi julgada pela inegável falácia.
TUCA NADA foi contemplada pela articulação co-ligada.
TUCA NADA foi desarticulada pela ousadia da prática.
TUCA NADA foi vitoriosa pela representação conquistada.
TUCA NADA foi derrotada pela vermelhidão co-ligada.

TUCA NADA subiu SERRA.
TUCA NADA desceu SERRA.
TUCA NADA não conseguiu firmar o
ninho no ponto mais alto da serra.

TUCA NADA não se conforma em ver os pares do LULA lá.
TUCA NADA não desanimará em DILMArcar o seu lugar.
TUCA NADA não desistirá da oposição a recriar.

TUCA NADA, TUCA NADA, TUCA NADA...