quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Enamorada por Ti

Sinto uma espécie de vertigem
quando teus olhos brilham
para mim com afeição.

Sinto meu mais bom humor aparecer
quando teus sentimentos nutridos
de respeito vem em minha direção.

Sinto minha temperatura cair
quando separado de ti
está o meu frágil coração.

Sinto o meu mundo cingir
quando teu silêncio reflete
um pouco de desatenção.

Sinto-me querida quando tua
simplicidade majestosa coloca o
meu universo em expansão.

Sinto-me enamorada por
ti quando teu riso encantador
absorve minha emoção.

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Coração Ilhado


O Queen sem o Freddie, o Nirvana sem o Kurt e o Pink Floyd sem o Roger Waters é igual a mim sem você (não tem sentido). Significa que o coração está ilhado e os sentimentos foram mortos e sepultados. A imaginação atrofia e as idéias perecem numa ansiedade que é capaz de fazer qualquer um perder a razão. A infelicidade desacelera o tempo e o coração não mais pulsa diante dos focos de luz que surgem no ato dos galanteios de outros. É como uma cena sem roteiro, uma imagem sem conteúdo, um milionário que perdeu o dinheiro. Os dias tornam-se escuros e a escuridão ilumina a angústia na alma. Esta angústia culmina na areia da praia quando os olhos fixos na imensidão do oceano enxergam o vazio desse coração ilhado, de sentimentos tristes. Contudo, sei que a alegria irá emergir quando puder novamente encontrá-lo.

domingo, 26 de dezembro de 2010

As festividades revelam que alguns bebuns são filósofos (25/12/10)

No relógio faltam poucos minutos para meia noite. Estou estática num lugar estratégico para observar a euforia dos componentes do meu clã; eles parecem uma forma muito primitiva de vida. Minha avó, minha mãe e minha tia transitam afobadas com as comidas da ceia. Minha irmã e prima mais nova assistem um desenho animado, embora não estejam ouvindo nada devido ao volume do som. Este, por sua vez, indica estar programado para reproduzir repetidamente as canções do Milionário e José Rico, Amado Batista, Eduardo Costa e companhia. Com a movimentação, outra prima é contemplada no sofá da sala com um bombardeio de beijos e abraços do seu novo namoradinho. Espalhados pela casa têm também os “integrados” que não são parentes, mas que estão na área (geralmente são amigos de alguém ou pessoas da vizinhança) que querem comer e beber de graça. E, numa mesa na varanda, também situada num lugar bem sugestivo (perto do freezer e da churrasqueira), estão o grupo máster, os boêmios da família. Neste grupo encontram-se as maiores figuras, eles falam exageradamente, cantam quando tem vontade e não economizam nas pérolas filosóficas que surgem nos instantes em que cachaça explode na cabeça. Receitas de como contornar os problemas do convívio social até como resolver o entupimento da pia do banheiro são expostas com naturalidade e sabedoria. Reflexões profundas sobre o amor, a dor e o sofrimento também fluem sem dificuldades e causam ressonância. E no auge das emoções, eles revelam suas histórias, seus modos de ver o mundo e personalidade que demonstra se complexificar na medida em que os convivas se despedem, o volume da música é abaixado e o efeito da cachaça vai se esvaindo. Enfim, alguns bebuns são filósofos.

sábado, 25 de dezembro de 2010

Conversando com os anjos

Entre a realidade e a
imaginação faço um esforço
para exorcizar meus delírios.
Desafio a desrazão e driblo
a solidão num ponto de fuga;
o lugar da utopia.
Meu pensamento é caótico
e sinto estar perdendo a razão.
Para resistir, me lanço num
espaço e tempo onírico,
converso com os anjos e
consigo exorcizar meus delírios;
num ponto de fuga: o lugar
entre a realidade e a ilusão,
muito além da utopia e do delírio.
Converso com os anjos...

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Papai Noel é Metaleiro

Aquela barba e cabelos compridos não enganam, Papai Noel é metaleiro. A roupa vermelha berrante é o retrato de um estilo intrigante. Com exceção do natal, nos demais dias do ano ele deve ficar horas se embriagando. Por isso, tem aquela caricaturada barriga gigante, mas penso que com a correria e padrões de beleza sugeridos pelos tempos modernos ele tem feito um esforço para emagrecer e ficar mais sarado. E todo aquele papo de dingo-bell e roll- roll- roll deve ser fruto de suas viagens psicodélicas regadas à Heavy Metal e Rock n’ Roll. Afinal de contas, para agüentar a maratona de voar pelos céus num veículo estranho, é preciso muito metal na mente e rock no coração. Aposto que durante os vôos ele curte o Metálica e o Motorhead enquanto se empantufa com a comida pegada nas casas que visita. Depois de deixar os presentes, que nem sempre chegam a todos os lares do mundo (muitos nem tem um lar), dorme o dia todo para ter fôlego o suficiente para festejar no feriado do ano novo tocando sua guitarra raivosa que fica guardada no cantinho do trenó.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Gustave Courbet e "A Origem do Mundo"

Devo confessar que esta não é uma obra que ficaria contemplando por horas, na verdade, a acho horrível, mas gosto da reação que ela causa nas pessoas quando a veem pela primeira vez. Ela faz parte de um movimento artístico chamado Realismo, que foi uma reação ao Romantismo. Cresceu com intensidade na França do século XIX, cujo contexto foi marcado por lutas sociais. Os pintores dessa tendência enfatizam a objetividade e buscam retratar o real sem adicionar elementos fictícios. Courbet, como um dos precursores, pintou vários auto-retratos no início da carreira. Depois, paisagens que demonstram as aspirações de sua época como, por exemplo, produções que abordam as classes trabalhadoras dentro de panoramas maiores. Falando desta obra em específico, “A Origem do Mundo”, foi pintada em 1866 num momento da carreira em que o pintor passou a valorizar o erotismo. Já possuía reconhecimento consolidado, era arrogante e gostava de afrontar a burguesia. O quadro foi encomendado por um diplomata turco que era colecionador de artes do gênero. De acordo com o que pesquisei, depois do tal colecionador, o quadro passou por inúmeras mãos e foi parar no Museu d'Orsay, local onde atualmente está. A reação que provocou na sociedade de seu tempo é muito prazerosa de se ler porque deturpava o moralismo e agredia os conceitos de boa arte comungados na academia; feições de espanto nos homens e constrangimento nas mulheres ocorreram. Hoje, olhando para ela e raciocinando, acredito que Courbet foi genial já que o movimento do qual participava era o Realismo e o nome que deu a obra estão em consonância; retratou com perfeição o elemento que guarda a semente que germina no mundo: os homens.

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Entre dois mundos: Psicose - Esquizofrenia

A esquizofrenia é uma forma de psicose marcada pela coexistência de diferentes realidades na mente do indivíduo. Um mundo que é real entra em rota de colisão com um mundo criado internamente pela mente. Esses mundos se fundem e a pessoa perde a capacidade de diferenciar o real do delírio; ela passa a viver vários tempos num só. Pensamentos, alucinações, razão e emoção se inter-relacionam simultaneamente. Surgem assim estados confusionais onde as atividades mentais geram pulsões que lutam para se expressar e, no auge do desespero, muitas vezes, ocorre o suicídio. Os estados confusionais se exemplificam com delírios visuais ou auditivos. Logo, ver coisas que não existem, ouvir vozes e ideias de perseguição constituem o universo da esquizofrenia que desencadeia impulsos destrutivos. Estes impulsos, por sua vez, integram um pavor constante e um aniquilamento iminente que contribui para a inevitável danificação de todos os aspectos da psiquê. Não obstante, isso exige tratamento psiquiátrico e o uso de remédios que não asseguram a cura, mas permitem um relativo controle. Em suprassumo, a esquizofrenia é um misto de loucura e razão, realidade e ilusão, alucinação e emoção das mentes que não separam o real da criação; espantosa e ofensiva, enganadora e lastimável, desse jeito é a esquizofrenia: um mergulho profundo num mundo racional e de fantasia, um mundo de medo e delírio, dor, sofrimento e vazio.

domingo, 19 de dezembro de 2010

Um beijo e um sonho de valsa

Nessa manhã risonha
gostaria de beijá-lo
carinhosamente na face.

Gostaria de envolvê-lo num
afago e dizer palavras doces
bem pertinho dos ouvidos.

Gostaria de saber das suas
idéias e planos para poder
incentivá-lo ou acompanhá-lo.

Gostaria de fazer meus os seus sonhos
e compartilhar uma vida de
eterna ternura e sonho de valsa.

Simplesmente gostaria...

quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Sigmund Freud e o “Mal estar na Civilização”

Para Freud nós somos seres desejantes e o desejo é a pulsão natural da vida que envolve a interação social. Quando reprimimos nossos desejos, sofremos. E sofrer em muitos casos implica uma tensão entre o desejo e as regras sociais expressas por normas de comportamento, educação, moral e valores culturalmente instaurados. Essas regras funcionam como fontes repressoras do id, do ego e do superego. O id é a força que impulsiona os nossos desejos, o ego diz respeito ao “eu e o meu desejo” e o superego é a censura que filtra os desejos que em boa parte das vezes são instintivos como, por exemplo, a libido que condiciona um estado de bem estar. Quando o id, o ego e superego estão em descompasso com os padrões impostos pela sociedade surge um “mal estar na civilização” ou, para simplificar, um mal estar nos indivíduos que sofrem por reprimir os desejos que parecem inadequados aos olhos da sociedade. E é aí neste ponto de tensão que muitas moléstias psicológicas nascem; é aí que surge os neuróticos, esquizofrênicos, histéricos, psicóticos ou melancólicos. Contudo, nem sempre os desejos reprimidos são sinônimos de sofrimento porque possuímos a capacidade de realizar aquilo que Freud chama de sublimação. Esta sublimação em linhas gerais são maneiras de se compensar os desejos reprimidos pelas normas de comportamento. Para finalizar, pode-se dizer que somos seres movidos por instintos e quando esses instintos são negados em função das regras sociais nos tornamos mais “civilizados”.

Soneto do semestre quase perfeito na UFTM

Entre inteligências pré-fabricadas
e artesanalmente construídas
vislumbrei espécies raras.

Entre os livros e a poesia, o
sacrifício e a profecia vi a mutilação
das percepções cristalizadas.

Entre o susto e a curiosidade,
concepções destruídas e recriadas,
vi verdades sendo invalidadas.

E eu ali, no oceano de inteligências variadas,
tão séria e calada reinventei
meu mundo com idéias transformadas.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O sujeito voyeur e as imagens fabricadas

O orkut, o twitter, o youtube, o msn e o facebook são exemplos de como a necessidade de ser visto tem crescido na atualidade. O sujeito voyeur neste sentido está em fabricar imagens não do que se é, mas do que se gostaria de ser. Um “ideal de eu” é minuciosamente arquitetado em projeções que por um lado apagam a dimensão crítica dos sujeitos e por outro viabilizam a realização do desejo de estar em evidência. O prazer da observação se soma a necessidade de ver e ser visto porque geralmente atribui-se muito sentido às opiniões alheias. Existe também a construção de um “eu virtual”, um self que dialoga com o “eu real” e o “eu ideal” que pode ser identificado quando, por exemplo, escolhemos fotos ou idéias para serem postadas no universo virtual. Essas escolhas permitem que o outro construa imagens daquilo que somos. Essas imagens por sua vez são representações que geralmente deixam as nossas imperfeições ocultadas. Prontamente, perdemos muito tempo tentando criar imagens daquilo que gostaríamos de ser e nos esquecemos de ser o que realmente somos.

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Falando Entrementes

Não fique tristonho, a vida
é um palco de vareidades dispostas
numa desordem organizada.

Não fique tristonho e
não se esqueça de ser sempre
do geito que é, lindo.

Não fique tristonho, sentir-se
fora de contexto ou desarticulado
não é um problema, muito pelo contrário.

Não fique tristonho, gosto de você
do jeito que é e quando quiser meu
coração simples estará aberto.

domingo, 12 de dezembro de 2010

Um livro do Freud e as canções do Elvis na não presença do menino dos olhos claros

Imersa nas explicações freudianas
procuro respostas de como
driblar a presença da sua ausência.
Para ajudar, as canções do Elvis
ecoam no silêncio do quarto auxiliando
na composição do amor imaginário.
O objeto do desejo, a sublimação e
as variáveis de uma interpretação;
nada se encontra mas tudo se encaixa.
O Freud na mente e o som do Elvis na caixa.
Tudo é confuso e a confusão parece ser
a nossa marca registrada: nós temos tudo
e ao mesmo tempo nunca tivemos nada.
Eu gosto de você e você nunca diz nada.
O Freud infelizmente não explica tudo;
e, na falta dos teus olhos claros, até
as músicas do Elvis não dizem nada.
Tudo é confuso mas tudo se encaixa;
eu gosto de você e você não diz nada.