domingo, 30 de outubro de 2011

Etiqueta e Cerimonial em Versailles - Um breve parecer sobre a Sociedade de Corte

Segundo Norbert Elias, no livro “A Sociedade de Corte”, a etiqueta e o cerimonial estabelecidos pela realeza em Versailles eram instrumentos de dominação, formas de expressar coerção social e poder. Este autor afirma que durante o Antigo Regime os reis franceses governavam o país a partir de suas casas ou através da corte onde residiam. Promoviam a articulação entre “grandeza do país” e “grandeza da moradia” na qual a máxima real podia ser vislumbrada por meio do palácio de Versailles, “dentro do qual as ações mais pessoais do rei sempre tinham caráter cerimonial de ações de Estado, assim como fora dele cada ação do Estado ganhava o caráter de uma ação pessoal do rei (ELIAS, 2001, p.67). Neste sentido, Luís XIV, por exemplo, organizava o país como uma propriedade pessoal, como uma extensão da corte em que morava. Todas as suas ações, desde as mais corriqueiras até as mais atribuladas, eram minuciosamente pensadas. E, em Versailles, por trás do pano de fundo das formalidades, estava um circuito de tensões e interdependências que serviam de sustentáculo para o seu reinado. Uma corte com cerca de dez mil pessoas aspiravam perspectivas de status e prestigio que não eram mensurados necessariamente a partir da quantidade de riquezas, mas por meio de símbolos e comportamentos inerentes à cortesãos; símbolos de prestigio que visavam a preservação da existência do grupo enquanto grupo distinto.

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Nonsense - Compondo seus versos na cidade fantasma





No mundo da irrealidade as dimensões do invisível são imensuráveis e as superfícies planas ganham profundidade. A partir de uma perspectiva que agride a racionalidade a cidade fantasma vai sendo projetada. Então, o espaço físico se torna o palco de um eterno simulacro.

Desrespeitando os limites entre a realidade e a ilusão encontro um lugar que está além da imaginação. É lá que componho seus versos e estruturo o sentido da desrazão. Não obstante, a alucinação e o delírio alimentam a obsessão em estar contigo numa eterna paixão (a todo instante), na cidade fantasma; num lugar muito além da imaginação. Num lugar entre a realidade e a ficção, entre a História e a criação, entre o devaneio e a obsessão. Na cidade fantasma, sem “medo e delírio”, fora da alucinação, da melancolia, da psicose e do desatino que a introspecção anuncia. Então, a realidade é ilusão e a ilusão é a realidade imaginária que te permite suportar o que está nesse mundo de realidade e ilusão – Nonsense.

Nonsense - No divã "o falso é a verdade"




De onde nascem as idéias? De onde vem o tiro? Qual é a verdade? E a mentira da verdade? O público pode ir além da imaginação e criar ilusões que servem para sustentar uma realidade falsa. Mas de onde vem o tiro? De quem é a culpa? Quem sabe? Talvez a mentira que é verdade está no grande truque que é manipular a partir da desrazão que afaga. Neste sentido, “o falso é a verdade” que demonstra desejos, para além da consciência, num lugar onde o real é ilusão.


Deitado comodamente no divã ouvia o psicólogo explicar que quando ele negava determinados assuntos era porque existiam tensões que convergiam em afirmação. Nessa lógica, negar para o terapeuta era afirmar e a mentira era a verdade que o paciente criava para sucumbir às pressões sociais. Sofria com os desrespeitos do patrão, ganhava mal, chegava a casa e sua mulher só reclamava da situação. Mas a verdade era que não estava tendo dinheiro nem para manter as necessidades básicas de sua família. Em meio a tudo isso seus parentes ainda ficavam perguntando por que ele ainda não havia comprado um carro. Em contraponto a essas desventuras tentava demonstrar estar satisfeito: com uma vida boa e tranqüila. Imaginava mundos felizes e criava realidades nas quais divagava por horas e quando acordava não suportava. Pegou o revólver, pensou um pouco e puxou o gatilho. No último suspiro, no instante que antecedeu o tiro, convicções danificadas. Nasceu para a morte e saiu do abismo - Nonsense.