domingo, 6 de novembro de 2011

O peso das formalidades no universo de Luís XIV – Um breve parecer sobre “A Sociedade de Corte”

De acordo com Norbert Elias, Luís XIV, não era um homem de notável inteligência, inventividade ou criatividade, mas se destacava pela imagem que procurava apresentar. Por meio de um comportamento arquitetado ao longo de toda vida seus mais simples gestos eram minuciosamente pensados no intuito de construir uma imagem que fosse correspondente ao “seu próprio ideal de grandeza, de dignidade e de glória do rei da França” (ELIAS, 2001, p.148). Para isso, seu poder era demonstrado através de atos simbólicos presentes tanto nos assuntos públicos quanto nos particulares. Norbert Elias enfatiza, por exemplo, que “o seu despertar, o momento de ir dormir e os amores de Luís eram tão importantes quanto a assinatura de um acordo governamental e eram configuradas com o mesmo nível de organização” (idem: p. 151). Isto, por sua vez, envolvia um grande esforço da parte do soberano, pois, precisava satisfazer as exigências impostas por sua função e por si mesmo; ficava num estado de eterna pressão porque sua auto-representação tinha que ser sempre condizente com sua posição social que não estava, de forma alguma, livre de coerções, muito pelo contrário.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Sigmund Freud e o "Mal Estar na Civilização"

Para Freud nós somos seres desejantes e o desejo é a pulsão natural da vida que envolve a interação social. Quando reprimimos nossos desejos, sofremos. E sofrer em muitos casos implica uma tensão entre o desejo e as regras sociais expressas por normas de comportamento, educação, moral e valores culturalmente instaurados. Essas regras funcionam como fontes repressoras do id, do ego e do superego. O id é a força que impulsiona os nossos desejos, o ego diz respeito ao “eu e o meu desejo” e o superego é a censura que filtra os desejos que em boa parte das vezes são instintivos como, por exemplo, a libido que condiciona um estado de bem estar. Quando o id, o ego e superego estão em descompasso com os padrões impostos pela sociedade surge um “mal estar na civilização” ou, para simplificar, um mal estar nos indivíduos que sofrem por reprimir os desejos que parecem inadequados aos olhos da sociedade. E é aí, neste ponto de tensão, que muitas moléstias psiquicas nascem; é aí que surge os neuróticos, esquizofrênicos, histéricos, psicóticos ou melancólicos. Contudo, nem sempre os desejos reprimidos são sinônimos de sofrimento porque possuímos a capacidade de realizar aquilo que Freud chama de sublimação. Esta sublimação em linhas gerais são maneiras de se compensar os desejos reprimidos pelas normas de comportamento. Para finalizar, pode-se dizer que somos seres movidos por instintos e quando esses instintos são negados em função das regras sociais nos tornamos mais “civilizados”.