sábado, 5 de outubro de 2013

Só lamento

Quem me falará sobre Borges, Breton e Camus? Quem me explicará o amor-próprio em Dostoievski? Quem me contará as façanhas da estruturação dos livros de Nabokov? Quem me indicará outras obras de Maupassant e Balzac? Quem concordará comigo que os escritos de Proust, apesar de inteligentes, são um porre; quase um pé no saco? Quem me afirmará que madame Bovary não foi descontrolada no fin...al e que Flaubert não era um apaixonado? Quem comigo ficará perfilado se gabando que Cervantes é um máximo? Quem me deixará boquiaberta no que toca o fato de o Sade, muitas vezes, ser lembrado apenas como um lunático? Quem terá interesse em bater na tecla de que a dinâmica dos espaços em Stephen King também é um máximo? Quem me dirá que não gosta de joguete de palavras e que Edgar Allan Poe é um tipo de leitura muito juvenil? Quem me fará pensar melhor na personalidade do primo Basílio e insistir que Eça de Queirós é, de fato, muito brilhante? Quem me recitará Shakespeare? Quem puxará a minha orelha em relação à não dar maior atenção à alguns escritores brasileiros? Quem me incentivará nos estudos de teoria literária? Quem me mostrará uma escrita rebuscada e sussurrará besteirinhas eróticas em meus ouvidos? Quem me ensinará sobre fetiches? Quem me mostrará com clareza o que é donjuanismo? Quem irá me asseverar que para ser bonito não precisa necessariamente ter lirismo? Quem poderá se equiparar a você: lindo, incógnito, contraditório, labiríntico? Um chatinho de galocha, é verdade! Mas o chatinho de galocha mais intrigante e cheio de lume que já conheci! Um verdadeiro amante!