sábado, 5 de outubro de 2013

Sobre "O Clube da Luta"

Possui vários eixos passíveis de intermináveis leituras e discussões. No entanto, quero falar somente do personagem do Edward Norton, o Jack. É preciso enxergá-lo em sua totalidade que, antes de tudo, antes do social, começa nele mesmo, é ...individual. Por este viés o clube da luta é o encontro do Jack com o Jack, do homem com o homem. Gestos violentos com os outros? Inicialmente não. A mente projeta, o alter. A violência primeira não é externa. Ou é? A projeção que vai nascendo da falta de sono e da inércia enreda o conflito marcado por ansiedades interiores que vão sendo automatizadas numa vida em que quase nada acontece. Então, a mente de Jack prega-lhe uma peça, encontra uma maneira, cria um mecanismo, para vencer o tédio: adrenalina. Da pressão que o individuo Jack exerce sobre si mesmo surge o personagem do Brad (Tyler) cuja máxima está em mostrar o quão violento pode ser a vida não diante do outro, mas a vida diante de si mesmo. Sozinho! Pulsões, compulsões, impulsões, explosões de fúria, retrações, proibições, funções controladoras que encontram maneiras de sucumbir; que se articulam ao social, mas cujo efeito é elementar no âmbito individual. Neste sentido, Jack chega ao ápice quando percebe que Tyler não existe... Atira na cabeça!